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Saúde Pública
Publicado em: 19/10/2021 - 13:30
Autor (a): imo@unesc.net
O Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc divulgou um levantamento que revela dados alarmantes sobre a mortalidade por suicídio na mesorregião sul de Santa Catarina entre os anos de 2018 e 2020. O estudo, elaborado a partir do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SES), aponta que a região de Laguna concentrou o maior percentual de óbitos, com 40% dos casos registrados. Na sequência, aparecem as regiões Carbonífera, com 38,3%, e Extremo Sul Catarinense, com 21,7%.
No ano de 2019, a mesorregião como um todo apresentou o maior índice do período, com 40,3% dos registros. O levantamento detalha ainda o perfil das vítimas, revelando que 78,8% dos casos de suicídio foram cometidos por homens, enquanto as mulheres representaram 21,2%. Em relação à raça e cor da pele, 90,4% das mortes envolveram pessoas brancas, seguidas por pretas e pardas, ambas com 3,5%. Os dados reforçam a necessidade de atenção especial a grupos mais vulneráveis e à ampliação das políticas públicas voltadas à saúde mental.
Os tipos de suicídio foram classificados de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Entre as principais causas, destacam-se o enforcamento, estrangulamento e sufocação (X70), o uso de arma de fogo (X72-X74), a intoxicação por pesticidas (X68) e o consumo de medicamentos e drogas (X64). Também foram identificados casos por afogamento, precipitação de lugares elevados, queimaduras e outros meios especificados ou não especificados.
De acordo com os pesquisadores, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Ele envolve fatores distais, como experiências adversas na infância, predisposições genéticas e aspectos culturais, além de fatores proximais, como traumas recentes, transtornos mentais e o uso de substâncias psicoativas. Esses elementos, quando combinados, aumentam significativamente o risco de comportamento suicida.
O Observatório destaca que compreender a distribuição e as características desses óbitos é essencial para fortalecer as estratégias de prevenção e acolhimento. “Os dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer na promoção de políticas de saúde mental e na criação de redes de apoio mais acessíveis, especialmente em municípios menores e com menor estrutura de atendimento”, afirmam os pesquisadores responsáveis pelo estudo.
O levantamento serve como alerta para gestores públicos, profissionais de saúde e para a sociedade como um todo. O suicídio, segundo especialistas, deve ser tratado como uma questão de saúde pública que exige articulação entre diferentes setores. O incentivo ao diálogo, a escuta qualificada e a ampliação de serviços de atenção psicossocial são medidas urgentes para reduzir os índices de mortalidade e oferecer esperança às pessoas em sofrimento psíquico.
Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, procure o CVV – Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188 (ligação gratuita) ou pelo site www.cvv.org.br. O atendimento é sigiloso e gratuito.
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