Nutrição

Estudantes e professores dos cursos de Saúde lotam auditório para debater Ato Médico

Estudantes e professores dos cursos de Saúde lotam auditório para debater Ato Médico
Janete Triches Mais imagens


Estudantes, professores e coordenadores dos cursos da área de Saúde da Unesc e representantes dos respectivos Conselhos Regionais lotaram as dependências do auditório Ruy Hülse, no campus, esta manhã (12), para debaterem o Ato Médico. O projeto de lei 7.703-A, apresentado pelo ex-senador Geraldo Althoff, que está para ser votado no Senado, na opinião dos presentes, invade e cerceia a atuação profissional de 13 profissões, como Enfermagem, Psicologia, Farmácia, Nutrição e Fisioterapia, entre outras; preconiza reserva de mercado para a Medicina, que passaria a ser soberana sobre as outras profissões na área da saúde; anula a ação das universidades na formação de profissionais de várias áreas do conhecimento no setor saúde e acaba com a conquista da descentralização como um dos princípios do SUS, já que volta concentrar o diagnóstico nosológico na Medicina. A mesa redonda foi promovida pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes), que esteve representado pelo presidente Pedro Vitor Prudêncio, e teve a mediação do jornalista Adelor Lessa. Os participantes vão mandar e-mails (http://www.senado.gov.br) para os senadores de Santa Catarina Ideli Salvatti, Neuto de Conto e Raimundo Colombo, pedindo que votem contra o projeto.

    

Nutrição

 

A representante do Conselho Regional de Nutrição, Francine Ferrari, disse que o PL 7.703-A afetará diretamente quatro milhões de profissionais da área da saúde e vai contra a política do SUS, que preconiza a descentralização das atividades. “Ao querer regulamentar a profissão de médico, estão querendo invadir as demais áreas da Saúde”, disse. “No artigo 4º do projeto está escrito que fica sendo atividade exclusiva do médico fazer diagnóstico nosológico e definir como será feito o tratamento que o paciente precisa. Ocorre que os médicos não tem conhecimento teórico e prático das outras 13 profissões da área da saúde”, questionou pedindo a remessa das correspondências aos senadores catarinenses.

   

Fisioterapia

 

O representante do Conselho Regional de Fisioterapia, Sandoval Torres, comentou que a Medicina tem regulamentação antiga e que é na tentativa de atualizar esta regulamentação que o novo texto estaria cerceando a atuação dos outros profissionais. “Ao ampliar a atuação do médico, colocando-o como único responsável pelo tratamento do paciente, o projeto anula totalmente a ação educativa das universidades, que investem anos na formação; e trata os demais profissionais da área da saúde como se fossem curiosos, e não pessoas que passaram anos estudando e se preparando para o exercício profissional. Estão tentando fazer reserva de mercado para a Medicina sim”, protestou.

 

Psicologia

 

“Quando um paciente procura um psicólogo, ele está com um dor profunda. Muitas vezes, levou uma vida inteira para superar sua dificuldade de se expor e criar coragem para começar a tratar seus problemas. Imaginem agora este paciente ter que passar por um clínico geral, expor a situação de sofrimento e o médico ver e decidir que tipo de tratamento ele deve receber, se para ansiedade, depressão ou outros. O médico não tem conhecimento técnico para decidir sobre isso”. O comentário foi feito pela representante do Conselho Regional de Psicologia, Giuliana Remor. “Só quem trabalha com pacientes do SUS sabe das carências desses pacientes e as barreiras que eles ultrapassam até procurar um profissional da área da saúde que possa atendê-los”, alertou.      

 

Enfermagem

 

Na década de 70 já houve um projeto semelhante ao 7.703-A tramitando no congresso e um movimento nacional dos estudantes e profissionais derrubou aquela intenção. Nos anos 80, quando o mesmo público voltava às ruas lutando pela reforma sanitária, que anos depois culminaria na criação do SUS, não viram os atuais defensores do projeto participarem daquele movimento. A reflexão foi feita pelo representante do Conselho Regional de Enfermagem, que no ato também representava o Conselho Federal. Gelson Albuquerque disse que o projeto vai atingir 1,6 milhões de trabalhadores da Enfermagem. Citando números de Florianópolis, falou que dos 18.392 exames preventivos de colo uterino realizados, 17.835 foram feitos por enfermeiros; e que dos 11.650 exames de mama, 11.702 também foram realizados pelos profissionais da Enfermagem. “Porque os médicos não estavam lá para realizar estes serviços, questionou. “Temos leis específicas para o exercício profissional e um corpo de conhecimento próprio. A saúde depende de ações multiprofissionais. Este projeto é para enganar. Como está, não pode passar”, disse prometendo Ação Direta de Inconstitucionalidade caso isso ocorra.          
 

Fonte: Comunicação Social:comunicacao@unesc.net

12 de março de 2010 às 12:04
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5 comentários

viviane

12 de março de 2010 às 23:24

Adorei o debate de hoje,foi uma imensa tristeza o presidente da medicina n estar presente,pois muitas das perguntas e duvidas dos acadêmicos seria para esse representante,e tb seria bom ouvir o outro lado,o lado do sim.

viviane

12 de março de 2010 às 23:22

Acho que cada profissional deve se dedicar a sua profissão e fazer bem feito do que fazer uma coisa mal feita.

viviane

12 de março de 2010 às 23:22

Mas,n acho justo q um profissional em 6 anos saiba todo o assunto de vária profissões e q seja capacitado para fazer o diagnóstico.Pois em 5 anos da minha profissão eu n aprendi tudo,isso q é só uma profissão,imagine 13?

Viviane

12 de março de 2010 às 23:21

n tenho nada contra a medicina,pois acho q cada um defende a sua profissão

Josiane

12 de março de 2010 às 19:36

então o que aprendemos na faculdade não tem valor?? a recuperação de um paciente em um tratamento depende da interdisciplinariedade das profissões!!! a medicina não tem o direito de se meter em assuntos que não lhe cabem..

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