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Agricultura
Publicado em: 13/05/2024 - 13:15
Autor (a): imo@unesc.net
O Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc divulgou, em 13 de maio de 2024, um levantamento sobre as possíveis consequências das enchentes no Rio Grande do Sul para a safra de arroz. O Estado, que responde por mais de 70% da produção nacional do grão, enfrenta desafios significativos após as chuvas que afetaram 447 municípios em maio.
De acordo com a Conab (2024), cerca de 83% da safra 2023/2024 já havia sido colhida antes das inundações, o que amenizou parte dos impactos diretos. No entanto, os prejuízos podem ser expressivos nas etapas pós-colheita. Diversos armazéns tiveram suas estruturas comprometidas, e ainda não há estimativas precisas sobre o volume de arroz danificado. Especialistas alertam que a umidade excessiva pode afetar tanto os grãos que foram inundados quanto aqueles armazenados em ambientes próximos às áreas atingidas.
A situação também gera preocupação no transporte e no abastecimento. As fortes chuvas destruíram rodovias e inviabilizaram parte da logística de escoamento da produção. Caminhões e veículos agrícolas ficaram inutilizados, comprometendo o envio do arroz para centros de distribuição e supermercados. “Mesmo com boa parte da colheita concluída, o desafio agora é garantir que o produto chegue com qualidade ao consumidor”, destaca o relatório do Observatório.
O estudo reforça a relevância econômica do arroz para o Rio Grande do Sul. Segundo o IBGE (2021), a agropecuária representa 14,9% do valor adicionado do PIB estadual, atrás apenas dos setores de serviços (60,9%) e indústria (24,1%). A importância do agronegócio se reflete diretamente na economia regional, sobretudo em municípios produtores como Uruguaiana, Cachoeira do Sul, Santa Vitória do Palmar e Itaqui, áreas severamente impactadas pelas enchentes.
A safra de arroz gaúcha, tradicionalmente plantada entre setembro e dezembro e colhida entre fevereiro e maio, vinha apresentando bons resultados até o início de maio. No entanto, o cenário climático adverso expõe a vulnerabilidade do setor agrícola frente a eventos extremos.
O relatório, elaborado com apoio da FAPESC e da CAPES, conclui que será necessário monitorar de perto os impactos de médio e longo prazo sobre a produção, o preço do grão e o abastecimento nacional. “As enchentes evidenciam a urgência de políticas de prevenção, infraestrutura rural e sistemas de armazenamento mais resilientes”, afirma a equipe técnica responsável.
O Observatório ressalta que os danos ainda estão sendo contabilizados, mas o episódio serve como alerta para a importância de integrar planejamento climático e estratégias produtivas, garantindo a segurança alimentar e a sustentabilidade do agronegócio gaúcho.
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